Um desabafo que se calhar não deveria estar aqui

Quando eu digo que "se calhar não devia estar aqui" é porque eu sei que alguém vai ver, e esse alguém está envolvido num dos desabafos, e vai saber que eu voltei a dar importância, mas o começo vai ser muito diferente do fim, por isso, se não queres tirar conclusões precipitadas, lê até ao fim antes de ficares completamente feliz.

Para começar, estas duas últimas semanas que passaram, nem foram tão más quanto eu pensava, mas, já acabaram, e com isso a paz também se foi. E ainda faltam outras duas semanas.
Está a haver uma guerra na minha cabeça já há algum tempo.
É ele, são eles, é ela, sou eu, somos nós. Tudo acontece cá dentro neste momento.
Porque é que eu não falo com ninguém? A verdade é que eu já falei, já desabafei, mas não é o suficiente, eu tenho de agir e não ficar pelo pensamento.
Eu tenho de sair e espairecer, mas aqui eu não posso, eu não conheço nada e eu iria perder-me no meio deste sítio desconhecido, no meio de caras desconhecidas, no meio de um mundo nada conhecido e nada adorado por mim.
Pois é, eu cada vez gosto menos de cá estar, mas não é por causa do país ou da língua, eu não sei, só não me sinto bem aqui, eu sei que não pertenço aqui.
Mas então, onde é que eu pertenço?

Os meus pensamentos e o meu coração andam a dizer que eu pertenço a LA, sim, Los Angeles, Califórnia. Não, não é por ser um sítio que até dói de tão lindo que é, de tão paraíso que parece. É pelas pessoas que lá vivem, pelas memórias não criadas com que eu sonho, pelas vidas em que eu adoraria pertencer. Por ele.
Sim, ele pode nem saber da minha existência, ele pode até nunca saber da minha existência, mas há aquele 1% de chances a que eu me agarro. Não, eu não estou a iludir-me, porque eu tenho plena consciência de quem ele é, de quem eu sou, de quem nós somos. Eu tenho plena consciência de onde nós vivemos, e da distância que nos separa. Mas também sei que nada é impossível e eu fico feliz por saber que existe esse 1%, mesmo que seja muito pouco. Eu sei que ele é das poucas razões que eu tenho para sorrir. Ele é quem me tem feito sorrir e acreditar ultimamente, porque quem o fazia, tem-me abandonado. Mas eu acredito nele, e eu sei que, mesmo sem saber, ele acredita em mim, porque ele acredita em quem o apoia e está com ele no que der e vier.
Mas não é só por ele que os meus pensamentos e o meu coração dizem que eu pertenço a LA. Eu descobri que uma boa parte da minha vida, é lá. A verdade é que há outros sítios envolvidos. (Não vou falar sobre isso agora, não é altura, mas um dia falarei.)

Quem me abandonou?
Bem, isso é um assunto um tanto ou quanto engraçado de se falar.
Foram três pessoas.
Uma delas eu achava que era importante, mas com o tempo ela só mostrou que eu não valia nada e que não queria saber da nossa amizade. Isso magoou-me, muito mesmo. Eu pensei que o erro era meu, eu cheguei mesmo a estar prestes a chorar. Mas eu abri os olhos, e agora percebo. O erro não era, nem é, dela. O erro também não é directamente meu. Eu não sabia. Mas eu acreditei, e eu entrei no jogo. Porque eu era inocente ainda. Eu não tinha noção do quanto uma amizade podia ser falsificada. Eu pensava que amizade era para sempre e era algo que não podia ser falso, mas enganei-me. Para mim era, e ainda é. Para mim "amizade" não é só para ser vista, é preciso ser sentida e honesta, mas nem todos pensam assim, aprendi isso da pior maneira. Agora? Agora tudo me passa ao lado e supero as coisas como se fosse algo comum.
A primeira foi a pior, ela era praticamente minha melhor amiga, mas com certeza as outras irão doer também. A diferença é que, eu já não me importo.

Outra das pessoas, foi a razão pela qual eu terminei essa primeira amizade de que eu falei.
Bem, não inteiramente a razão, mas parcialmente. (História bastante complicada)
Eu não sou pessoa de entrar em joguinhos e muito menos de ser 'pau mandado' (perdoem-me a expressão) de alguém, mas acontece que há pessoas que têm muita habilidade com a fala e portanto, não foi fácil. (Mais uma vez, história bastante complicada) Mas, mais uma vez, eu abri os olhos, só não foi tão tarde quanto a outra. O engraçado nisto é que, esta pessoa, falava da primeira, como se a primeira fosse a pior pessoa no mundo, mas acabou por fazer exactamente o mesmo. Mas, tal como já disse. Eu já não me importo.
Doeu, mas já passou. Ela quis sair e eu não vou atrás. Quem errou não fui eu. O problema é que há pessoas que não gostam de ouvir a verdade, e se és assim, então não estejas perto de mim, eu não sou de esconder a verdade e digo-a mesmo sabendo que vai doer. Não por maldade, mas porque a mentira pode doer muito mais, só não dói no momento. A verdade pode ser dolorosa, mas às vezes é a única maneira de abrires os olhos.

E a última pessoa de quem eu vou falar, é a que me está a doer mais, mas esta última é muito, muito diferente das outras duas. Esta pessoa foi, é, e será sempre tudo para mim. Ajudou-me em muitas ocasiões, chegou até mesmo a salvar-me a vida, de certo modo.
Não, ainda não me abandonou, e eu estou com muito medo que isso aconteça, porque nos últimos dois dias tem ido tudo abaixo. Só que com esta pessoa, eu importo-me muito, e vou sempre importar, por mais que ele me magoe. Eu não vou falar muito sobre esta pessoa porque o texto iria ficar imensamente grande.
Mas, quero que fique registado.
Eu nunca vou desistir desta pessoa. Porque eu sei que no fundo, esta pessoa nunca quis abandonar-me. E eu sei que se o fizer, mais cedo ou mais tarde, vai abrir os olhos e voltar a ser quem era, ou pelo menos a ter os valores que sempre teve, e vai cumprir a sua promessa.
Eu importo-me com esta pessoa.
Porque eu importo-me com quem se importa comigo, com quem me protege, com quem se preocupa, com quem faz por mim, aquilo que eu faria por eles sem pensar duas vezes.
Eu importo-me com quem eu amo.
Eu importo-me com quem vale a pena.

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